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CARREIRA

Comunicação vira a habilidade mais valorizada por empregadores
A conclusão é de um levantamento global do Linkedin
Por Folhapress
22/03/2021 - 12h52
Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Durante a quarentena, novas competências entraram para a lista de pré-requisitos que recrutadores buscam em um profissional. E elas vão muito além do diploma e do pacote Office.

Um levantamento global do Linkedin mostra que as chamadas "soft skills", ou competências comportamentais, são maioria entre as dez habilidades mais valorizadas por empregadores.

A mais citada foi comunicação. A lista ainda inclui capacidade de liderança, de aprendizado online e de resolução de problemas. O estudo analisou as exigências de cerca de 12 milhões de vagas disponíveis na plataforma em julho.

"A pandemia tornou essas habilidades humanas tão necessárias que, mesmo quem não estava aberto a elas antes, agora terá que desenvolvê-las", explica Vanessa Cepellos, professora de gestão de pessoas da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Para o diretor-geral do Linkedin para a América Latina, Milton Beck, as "soft skills" também ganham importância por causa das mudanças tecnológicas: "São competências mais difíceis de serem reproduzidas por uma máquina”, afirma.

Outro levantamento feito pela plataforma mostra que, no Brasil, 9 das 10 vagas mais anunciadas no site em julho são ligadas ao mundo digital, entre elas engenheiro de software e arquiteto de software.

Para Beck, o trabalho remoto fez com que a comunicação fosse mais valorizada pelos gestores. "As pessoas estão com os nervos à flor da pele. Ter canais de comunicação abertos ajuda a tirar preocupações", diz.

O distanciamento social ainda evidenciou a importância da aprendizagem online, que pela primeira vez entrou no ranking de características mais buscadas por empresas.

Segundo o diretor-geral do Linkedin, a capacidade de fazer um negócio funcionar e de resolver problemas também ganha peso em momentos de incerteza como os de agora.

"Aprender a lidar com pessoas e a gerenciar projetos, ser objetivo, contornar adversidades, ter resiliência. É o conjunto de habilidades que culmina em uma pessoa capaz de resolver problemas", diz Beck.

Outra característica que ganhou evidência é a capacidade de liderar, que não deve se restringir às figuras de chefia. "Um funcionário tem que liderar projetos, liderar clientes", diz. "Uma pessoa pode exercer liderança sem ter ninguém abaixo dela", completa.

A necessidade de exercitar essas competências chegou às companhias. Com a pandemia, a diretora de RH da construtora Tenda, Cristina Caresia, idealizou uma série de oficinas voluntárias focadas no desenvolvimento humano.

"O momento exigia habilidade para lidar com adversidade, capacidade de colaboração, empatia, e percebemos uma falta de traquejo", pontua. "A pandemia funciona hoje como uma escola de 'soft skills'."

Para ela, que atua há mais de 20 anos em recursos humanos, os treinamentos comportamentais não são novidade. Mas a demanda ainda não chegou ao ensino formal. "São habilidades que mesmo os jovens não aprenderam na escola, faculdade ou MBA", afirma.

Roberto Aparecido Del'Fiol, 38, administrador de empresas e coordenador de crédito na Tenda, participou das 11 oficinas oferecidas pela companhia. Para ele, as aulas o ajudaram a controlar a ansiedade que veio com a quarentena.

As oficinas acontecem a partir de vídeos e materiais de leitura disponibilizados online e de um seminário por videoconferência. "Talvez antes não tivéssemos tanta abertura para trocar ideias", afirma. Ele destaca as atividades que abordaram protagonismo, controle de emoções e mudança de hábitos.

Veja as 10 aptidões mais buscadas:
- Comunicação
- Gestão de negócios
- Resolução de problemas
- Ciência de dados
- Gestão de tecnologias de armazenamento de dados
- Suporte técnico
- Liderança
- Gerenciamento de projetos
- Aprendizado online
- Aprendizagem e desenvolvimento de funcionários

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