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REPORTAGEM ESPECIAL

Acidente Elétrico: É possível evitar?
Na segunda reportagem da série, os especialistas ensinam como podemos evitar acidentes com energia elétrica
Por Danielly Chaves (De João Pessoa) e Wendell Rodrigues (De Brasília)
29/08/2019 - 14h31 - Atualizado em 29/08/2019 - 19h27
Foto: Jean Carlos/Criação: Janielle Ventura

Receber um choque elétrico, por menor que seja, já nos dá um baita susto. A gente nunca espera esse momento e nem acha que aquela “má instalação”, vai gerar transtorno. Mas nem sempre é assim.

Só no Distrito Federal, dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros mostram que, durante todo o ano de 2018, foram registradas 63 ocorrências de choques elétricos. Desses casos, foram registrados, oito mortes. Já em 2019, até o momento, foram contabilizadas 35 ocorrências da mesma natureza, com cinco óbitos até o mês de julho. Uma das vítimas foi Gustavo Nogueira de Souza, de 18 anos.

 

Era diversão

O rapaz jogava futsal com os amigos, em uma quadra de Taguatinga, cidade satélite de Brasília. Perto das 21h40, do dia 11 de junho, ele recebeu uma descarga elétrica, após tocar o alambrado, que cerca o espaço.  Um amigo do jovem ainda tentou puxá-lo pela camisa, mas não conseguiu. As equipes do Corpo de Bombeiros e do SAMU realizaram, por 40 minutos, ressuscitação cardiopulmonar. Mas o estudante teve parada cardiorrespiratória e morreu. Gustavo era aluno do Instituto Federal de Brasília.

       Equipes do Corpo de Bombeiros e SAMU realizam ressuscitação cardiopulmonar, mas o jovem não resistiu. Foto: Reprodução Corpo de Bombeiros

 

A Companhia Energética de Brasília (CEB) divulgou nota manifestando profundo pesar pelo acidente ocorrido. A CEB ainda disse, que acionou suas equipes de segurança para realizar a perícia no local e apurar as causas do acidente. A nota finaliza dizendo que a empresa prestará assistência necessária à família da vítima. Os pais de Gustavo acionaram a justiça para responsabilizar a companhia pela morte do rapaz.

 

Atenção e cuidado

“A eletricidade não é perceptível aos sentidos humanos. Só de olhar, não sabemos distinguir se um fio ou equipamento está energizado ou não”, informou o engenheiro eletricista, Luís Mendes, em entrevista para o Repórter Especial.

Engenheiro Luiz Mendes alerta sobre os cuidados na hora de realizar instalações elétricas. Foto: Arquivo pessoal

 

Alguns dos erros mais comuns, segundo Mendes, é comprar material de baixa qualidade e realizar instalações elétricas sem o devido conhecimento técnico. “Se a tomada do ferro estragou, não corte as pontas dos fios e ligue direto na tomada. Além do risco de choque, a conexão inadequada pode superaquecer o fio da tomada”, alerta.

Chamar um amigo para fazer aquele “reparo”, pode ser uma ação inocente, ou não. “Quando você confia em um profissional não capacitado, você pode estar colocando a sua vida e a de quem você ama, em risco”, comenta.

 

Energia elétrica no corpo humano

“Acidentes com choque elétrico podem ocasionar, desde apenas um susto e formigamento, até arritmia, parada cardíaca, queimadura térmica, destruição de músculos, tecidos e nervos e inclusive morte”, completa o engenheiro. Ele ainda explica que, como boa prática, se você vai contratar um profissional ou empresa do setor elétrico, exija a apresentação do registro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) dos responsáveis técnicos e consulte o histórico deles.

Para evitar problemas, a recomendação é sempre realizar, no imóvel, uma verificação, a cada cinco anos. Dessa forma, será possível se certificar que a instalação está em boas condições e não oferece riscos à saúde.

 

Prática irregular

Já conheceu alguém que furta energia? Além de ilegal, essa prática pode até gerar prisão, além de trazer riscos de morte a quem faz e quem usa energia irregular.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), tem um Termo de Ocorrência de Irregularidade (TOI), que obedece ao artigo 129, inciso I, da Resolução nº 414/2010. Funciona como um formulário em que as concessionárias preenchem ao fazer as inspeções em busca pelo que pode ser, eventualmente, indício de furto de energia. A pena para este crime, segundo o art. 155, § 3º CP, é de reclusão de um a quatro anos, e multa.

“A pessoa acaba ficando exposta a vários riscos com uma instalação totalmente fora de norma”, explicou a Técnica em Eletrotécnica, Joyce Alves. Ela também lamenta que profissionais desenvolvam um serviço clandestino. " Hoje ainda é muito comum encontrar”, admite.  

Joyce Alves lamenta que algumas instalações elétricas ainda são feitas por profissionais sem preparo e capacitação adequada. Foto: Arquivo pessoal

 

DF: 66 mil ligações clandestinas

Em um levantamento realizado em 2018, pela área técnica da Companhia de Energia de Brasília (CEB), estimou-se a existência de, aproximadamente, 66 mil ligações clandestinas, em todo o Distrito Federal. Com essa prática, a companhia deixa de faturar cerca de R$ 2 milhões/mês. Segundo a CEB, além do risco direto do choque elétrico, o ‘gato’ pode ocasionar curto circuito, incêndios, sobrecarga da rede elétrica, queda na qualidade da energia fornecida aos clientes regulares, interrupções no sistema e danos à rede elétrica.

 

Projetos em comunidades

As companhias de energia de Brasília e da Paraíba desenvolvem ações educativas para alertar as pessoas sobre as consequências dos ‘gatos’. Em João Pessoa, a Energisa desenvolve projetos de conscientização. Eles transmitem informações para evitar, que moradores façam suas próprias instalações elétricas em suas residências ou em empresas.

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